Especialista alerta que perder peso não significa necessariamente eliminar gordura e explica por que composição corporal pode ser mais importante do que o número na balança
Perder 10, 15 ou até 20 quilos e ainda continuar insatisfeito com a barriga pode parecer contraditório, mas é uma situação mais comum do que se imagina. Isso acontece porque emagrecer não significa necessariamente perder gordura na mesma proporção. Dependendo da estratégia adotada, a redução de peso pode envolver também perda de massa muscular e água.
Segundo o médico, pesquisador e professor Gabriel Almeida, a diferença está justamente na composição corporal. “A balança mostra quanto você pesa, mas não mostra, isoladamente, o que você está perdendo. Duas pessoas podem perder os mesmos 10 quilos e ter resultados completamente diferentes no espelho, na saúde e na capacidade física”, explica.
A gordura abdominal também não é toda igual. Existe a gordura subcutânea, localizada logo abaixo da pele, e a gordura visceral, que fica mais profundamente, envolvendo os órgãos. Além disso, fatores como genética, idade, alterações hormonais, qualidade do sono e sedentarismo podem influenciar a distribuição da gordura.
Nem sempre é preciso perder mais peso
Uma das possibilidades para quem já emagreceu, mas continua insatisfeito com o abdome, é a chamada recomposição corporal. Nesse processo, o objetivo é reduzir gordura enquanto se preserva ou até se aumenta a massa muscular.
“Às vezes, o paciente não precisa perder mais cinco quilos. Ele precisa melhorar a qualidade desses quilos que já tem”, afirma Gabriel.
Segundo o médico, é possível haver uma transformação significativa nas medidas e na aparência mesmo sem uma grande alteração no peso. “É aquele paciente que retorna ao consultório praticamente com o mesmo peso, mas com a cintura menor, roupas mais folgadas e uma aparência corporal completamente diferente.”
Para alcançar esse resultado, o tratamento pode envolver treinamento de força, estratégia alimentar adequada, ingestão suficiente de proteínas e ajustes individualizados de acordo com as condições metabólicas e hormonais de cada paciente.
O perigo de olhar apenas para a balança
A massa muscular também tem papel importante durante o emagrecimento. Além de contribuir para força e funcionalidade, ela participa do metabolismo da glicose e do gasto energético.
“Não basta perder gordura. Precisamos também preservar o músculo que dá sustentação, funcionalidade e forma ao corpo”, destaca.
Por isso, um dos erros mais comuns, segundo Gabriel, é buscar uma perda de peso muito rápida por meio de dietas extremamente restritivas. Outro é acreditar que fazer exercícios abdominais eliminará especificamente a gordura da barriga.
“O abdominal é importante para fortalecer a musculatura, mas não existe uma relação direta entre exercitar determinada região e perder gordura especificamente naquele local. A redução da gordura abdominal depende de um conjunto de fatores”, explica.
O terceiro erro seria justamente olhar exclusivamente para o número apresentado pela balança.
“Às vezes, a balança não muda, mas a cintura diminui, a massa muscular melhora e o paciente está metabolicamente mais saudável. Isso também é resultado, e um resultado extremamente importante”, afirma.
Antes de perder mais, é preciso entender o que está acontecendo
Para quem já emagreceu e continua incomodado com a barriga, Gabriel recomenda avaliar primeiro a composição corporal antes de simplesmente tentar perder mais peso.
“Será que ainda existe um percentual elevado de gordura corporal? Será que houve uma perda importante de massa muscular durante o emagrecimento? Estamos diante de gordura visceral, gordura subcutânea ou até de flacidez e excesso de pele? São situações diferentes, que exigem abordagens diferentes”, explica.
O médico ressalta ainda que algumas alterações, como flacidez, diástase abdominal ou excesso de pele, não serão necessariamente resolvidas com uma nova redução de peso.
“O mais importante é compreender que existe uma diferença muito grande entre emagrecer e alcançar o corpo que você deseja, com saúde. E é justamente essa diferença que precisa orientar o tratamento”, conclui.







