Em Ibiza, diante de David Guetta, a música tomava conta da pista. Mas havia outro espetáculo: uma multidão de celulares erguidos, enquadrando a noite para quem não estava ali.
Eu também olhava para a tela. E, por um instante, me perguntei se estava vivendo aquele momento ou apenas preparando a prova de que tinha estado nele.
Guardei o celular. Não porque registrar seja errado, mas porque percebi que, enquanto tentava capturar a noite, ela acontecia sem mim.
Talvez a gente esteja confundindo memória com arquivo, presença com exposição. A experiência precisa ser vista por alguém para ter valor? Ou será que certos momentos só se tornam nossos quando deixamos de mostrá-los e começamos, de fato, a vivê-los?






