A apresentação de Xuxa voltou a provocar uma enxurrada de comentários nas redes sociais. O motivo, desta vez, não foi sua performance, mas a roupa escolhida para subir ao palco. Aos 63 anos, a artista foi alvo de críticas que levantam uma pergunta inevitável: estamos julgando a roupa ou a idade de quem a veste?
A discussão ganha contornos de contradição quando se observa a própria trajetória da apresentadora. Desde o início da carreira, Xuxa construiu sua identidade artística com figurinos curtos, botas, brilho e um estilo marcante que atravessou gerações. Pouco mudou em sua proposta estética. O que mudou foi o tempo. E, para parte do público, parece haver um limite invisível para aquilo que uma mulher pode vestir depois de determinada idade.
É curioso que, em uma sociedade que incentiva hábitos saudáveis, celebra a longevidade e exalta quem envelhece com qualidade de vida, ainda exista tanta resistência em aceitar uma mulher de 63 anos segura do próprio corpo e fiel à sua identidade. Xuxa mantém excelente forma física, continua em atividade e segue exercendo sua profissão exatamente como sempre fez.
O episódio expõe uma reflexão que vai além da artista. O julgamento sobre o envelhecimento feminino continua sendo muito mais severo do que sobre o masculino. Afinal, o incômodo está na roupa de Xuxa ou na dificuldade de aceitar que uma mulher possa envelhecer sem abrir mão da liberdade de ser quem sempre foi?







