COLUNA | QUASE NADA É NEUTRO
por Maenna Maia
Noruega passou. O Brasil ficou.
Mas, pra mim, a derrota mais incômoda não foi no placar. Foi na postura.
Sou mulher e adoro futebol. Não daquele jeito “olha que fofa, sabe o que é impedimento”, não. Fui mais longe. Entendi regra, esquema, tabela, pressão, transição, essas palavras que homem fala como se tivesse descoberto a penicilina. Comecei quando ainda era executiva no mercado financeiro, um universo tão masculino que, às vezes, saber comentar um 4-3-3 abria mais portas do que uma pós-graduação.
Pois é, em certos ambientes, futebol também é senha.
Mas no domingo, contra a Noruega, o futebol entregou outra aula. Menos sobre bola. Mais sobre domínio.
Haaland foi provocado antes e durante o jogo, e não comprou a baixaria. Parecia entender uma coisa que muita gente talentosa esquece: quem sabe pra onde tá indo não precisa responder a tudo. Jogou com fome, mas sem descontrole. Jovem, enorme, obstinado, parecia saber que quem quer chegar às quartas não pode parar em cada esquina do ego pra provar que tem razão.
Do outro lado, o Brasil fez o caminho oposto. Não bastou perder, precisou performar a perda. Primeiro no placar, depois na postura. Provocou, empurrou, ameaçou uma quase briga, como se indignação compensasse incompetência. Lhe asseguro, não compensa.
Quase nada é neutro. A vitória comunica. A derrota também. E o jeito de sair de cena, ainda mais.
A Noruega comunicou maturidade. O Brasil comunicou ruído.
O futebol é uma excelente metáfora da vida adulta: talento chama atenção, mas é a postura que determina quem sai e quem continua, dentro e fora de campo. O gol todo mundo vê. O que revela alguém é o que acontece quando ele não vem: o autocontrole, a escolha de não reagir e a maturidade para atravessar a derrota sem perder também a compostura.







