O luxo de ser bem interpretado

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Quando a leitura vem errada, o valor também chega menor.

COLUNA | QUASE NADA É NEUTRO

por Maenna Maia

Existe um cansaço muito específico que não passa com sono, magnésio, banho quente, reza, nada.

É o cansaço de ter que se explicar o tempo inteiro.

Não uma ideia. A si mesmo.

O tom, a intenção, a firmeza, o silêncio. Explicar até aquilo que, em tese, já deveria estar evidente. E, nesse esforço todo, uma coisa se perde: o valor.

Durante muito tempo, a gente achou que o grande luxo era ser visto. Aparecer. Ter vitrine, palco, microfone, foto boa.

E, de fato, aparecer ficou mais fácil.

Tem ring light, algoritmo, trend, consultoria de imagem, bio estratégica, a famigerada dancinha.

Nada contra. Eu mesma adoro uma boa embalagem.

Ainda assim, a pergunta que interessa é: quando você aparece, o seu valor aparece junto?

Por isso, responda pra si mesmo.

Na minha perspectiva, quando a leitura vem errada, o valor também chega menor. E o mais cruel é que ninguém te avisa. O convite muda, a confiança diminui, o orçamento encolhe, o desconto aparece como condição, e o lugar na mesa vai ficando pra depois.

Injusto? Bastante.

Mas quase nada é neutro.

A roupa não é neutra. O tom não é neutro. O silêncio não é neutro. O excesso de explicação, também não.

Em outras palavras, ser bem interpretado é fazer o que você construiu chegar ao outro sem perder valor no caminho.

Isso, sim, virou luxo.

Porque, no fim, valor também é leitura.

E a leitura decide antes da gente.

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