Mogno africano ganha espaço como ativo verde e rentável no Brasil

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Em um cenário em que metas ambientais deixaram de ser discurso e passaram a integrar o centro das decisões corporativas, o cultivo de mogno africano começa a ocupar um lugar estratégico na agenda ESG de empresas brasileiras. A promessa é

Em um cenário em que metas ambientais deixaram de ser discurso e passaram a integrar o centro das decisões corporativas, o cultivo de mogno africano começa a ocupar um lugar estratégico na agenda ESG de empresas brasileiras. A promessa é direta. Alinhar sustentabilidade com retorno financeiro previsível, em um modelo que combina preservação, manejo responsável e valorização de longo prazo.

O mogno africano, conhecido pela madeira nobre e de alta demanda internacional, tem ciclo de crescimento que gira entre cinco e sete anos, dependendo do manejo e da região. Nesse período, o ativo biológico se valoriza, impulsionado por um mercado que enfrenta escassez de madeira de qualidade e crescente pressão por práticas sustentáveis.

Para empresas que precisam atender a critérios ambientais, seja por exigência de investidores, seja por posicionamento de marca, o investimento em florestas comerciais surge como alternativa concreta. Diferente de iniciativas pontuais, o cultivo estruturado permite rastreabilidade, captura de carbono e geração de impacto mensurável, pontos cada vez mais observados em relatórios de sustentabilidade.

Outro fator que chama atenção é o modelo de negócio. Em muitos casos, investidores ou empresas não precisam adquirir terras. Operam por meio de arrendamentos ou participação em projetos geridos por empresas especializadas, que cuidam do plantio, manutenção e colheita. A lógica é de médio prazo, mas com previsibilidade, algo raro quando se fala em ativos verdes.

Segundo Marcelo Vieira, CEO da TERRAVANT, o interesse pelo mogno africano acompanha uma mudança no perfil do investidor. “Há uma busca crescente por ativos que conciliem impacto ambiental positivo e retorno financeiro consistente. O mogno africano se insere exatamente nesse contexto, como uma alternativa estruturada e com potencial de valorização ao longo do tempo”, afirma.

Especialistas do setor destacam que o movimento também é impulsionado pela necessidade de diversificação de portfólio. Em um mercado volátil, ativos florestais oferecem uma dinâmica distinta, menos exposta às oscilações imediatas e mais atrelada a fundamentos reais.

Ainda assim, o alerta permanece. Como em qualquer investimento, é necessário avaliar a credibilidade das empresas envolvidas, a regularização fundiária, o plano de manejo e as projeções de mercado. ESG deixou de ser tendência e passou a ser critério. E, nesse novo jogo, sustentabilidade sem viabilidade econômica já não se sustenta.

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