Mais cacau, menos ilusão: Senado redefine o que pode ser chocolate no Brasil

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Uma mudança discreta no papel, mas com efeito direto no que chega à mesa. O Senado aprovou um projeto que eleva para 35% o teor mínimo de cacau para que um produto seja classificado como chocolate e reforça a exigência

Uma mudança discreta no papel, mas com efeito direto no que chega à mesa. O Senado aprovou um projeto que eleva para 35% o teor mínimo de cacau para que um produto seja classificado como chocolate e reforça a exigência de rotulagem mais clara. Hoje, a referência é de 25%, o que permite fórmulas mais distantes do ingrediente principal.

A proposta aproxima o Brasil de padrões internacionais e responde a uma demanda crescente por transparência alimentar. Mais do que uma adequação técnica, trata-se de reposicionar um dos produtos mais populares do mercado.

Do ponto de vista científico, a diferença é relevante. O cacau concentra flavonoides, compostos associados à proteção cardiovascular e à ação antioxidante. Quanto menor a presença desse ingrediente, menor também o potencial benefício.

Para a nutricionista Mariana Lacerda, o debate vai além do rótulo. “Quando se reduz o cacau, é comum aumentar açúcar e gordura para manter sabor e textura. O consumidor acredita que está comprando chocolate, mas muitas vezes leva um produto com perfil nutricional completamente diferente”, afirma.

A mudança ainda depende de sanção, mas já provoca reação na indústria, que terá de rever formulações e posicionamento. Para o consumidor, abre-se um novo cenário.

Menos margem para ilusão. Mais espaço para escolha consciente.

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