Por @karolbang
Aos 10 anos, enfrentei uma das crises mais severas da anemia falciforme e passei um longo período sem conseguir andar. A fisioterapia fazia parte da minha rotina, mas a dor era tão intensa que, muitas vezes, me faltava força até para reagir. Lembro com nitidez de uma frase do doutor Nilo Dourado, meu ortopedista. Ele me observou durante uma sessão e disse algo que atravessou a minha vida inteira: “Podem fazer o movimento por você inúmeras vezes. Mas, se você não acompanhar, se não houver disposição da sua parte, você não volta a andar.”
Era sobre mobilidade, mas poderia ser sobre qualquer coisa. Trabalho, afetos, escolhas, reconstruções.
Aprendi muito cedo que nenhum processo acontece sozinho. Não existe resultado quando apenas um insiste, sustenta, cede ou tenta salvar o que quer que seja.
E relacionamentos também obedecem a essa lógica. Eu posso fazer o meu melhor para que isso dê certo. Mas, se não houver vontade do outro lado, reciprocidade de intenção, disponibilidade real, não há construção possível.
As duas pessoas precisam querer.







